De Akademos ao contemporâneo: a imortalidade do belo e do conhecimento

Foi o historiador grego Plutarco, na obra Vidas Paralelas, que eternizou nos anais da História o nome de Akademo (Akádēmos), o herói que livrou a cidade de Atenas da fúria de dois inimigos poderosos que ameaçavam destrui-la. Agradecida, a cidade depositou o corpo do heroico ateniense em um túmulo cercado por um bosque considerado sagrado, dedicado à deusa Atena. Tempos depois (387 a.C., provavelmente), foi nesse local, já conhecido como Akademia (em referência a Akademo), que Platão instalou sua escola de filosofia, um ponto de encontro no qual, longe do centro urbano, era possível debater filosofia, matemática, dialética e política, surgindo desse fato a identificação da palavra academia com as instituições nas quais são cultivados o ensino, a cultura e a ciência. 

A Academia de Platão, segundo registro históricos, funcionou até 529 depois de Cristo, quando o Imperador Justiniano I, avesso à herança helenística pagã, decretou seu fechamento definitivo. Depois disso, as academias inexistiram na Idade Média, reaparecendo apenas após a revolução promovida pelo Renascimento, quando é registrada a fundação da Academia Platônica de Florença, em 1460, já com características mais próximas das academias que conhecemos hoje, ao incluir entre suas prioridades a literatura e funcionando de modo diferente da formalidade e rigidez das universidades medievais, pois constituíam círculos informais de intelectuais, cientistas, poetas e artistas. É esse modelo que, com as necessárias adaptações, será adotado pela Academia Francesa, fundada em 1635, e por outras instituições que surgiram depois. No Brasil, a Academia Brasílica dos Esquecidos (1724) e a Academia Cearense de Letras (1894), precederam a Academia Brasileira de Letras, fundada em 20 de julho de 1897.

Inspirados nesses exemplos, cada Estado brasileiro fez surgir, quase todas nas primeiras décadas do século XX, suas academias, nascendo a Academia Alagoana de Letras em 1919, e em nossa cidade em 1963. Essas instituições carregadas com todo esse peso histórico e simbólico, no entanto, sobreviveram aos rigores do tempo e chegaram até nossos dias, feito que nos coloca diante de um questionamento: nessa nossa era da rapidez digital, elas ainda são necessárias? A resposta não é simples porque a importância do tipo de batalha que as academias travam não reside em algo objetivo, concreto, quantificável, mensurável ou até mesmo tangível, uma vez que só pode ser medida de um ponto de vista subjetivo, simbólico, metafórico. Assim, a “imortalidade” que as academias enaltecem, não tem a ver com fama, prestígio, status, mas com uma contribuição real dada pelo escritor, pelo artista, para o aprimoramento do mundo através de suas obras, sendo um fato incontestável que apesar dos avanços tecnológicos estonteantes que testemunhamos, esse aprimoramento das mentes e dos espíritos, através do cultivo do belo e do conhecimento, é uma necessidade que acompanhará o ser humano até as estrelas. Se conseguirmos um dia chegar até lá. 

João Pereira Júnior

Presidente

Luciano S. Rocha

1o Vice-presidente

Josué Marques da Silva

2º Vice-Presidente

Claudeonor T. Higino

1º Secretário

Moezio de V. Costa Santos

Tesoureiro Interino

Kleber Messias dos Santos

2º Tesoureiro

De Akademos ao contemporâneo: a imortalidade do belo e do conhecimento

Foi o historiador grego Plutarco, na obra Vidas Paralelas, que eternizou nos anais da História o nome de Akademo (Akádēmos), o herói que livrou a cidade de Atenas da fúria de dois inimigos poderosos que ameaçavam destrui-la. Agradecida, a cidade depositou o corpo do heroico ateniense em um túmulo cercado por um bosque considerado sagrado, dedicado à deusa Atena. Tempos depois (387 a.C., provavelmente), foi nesse local, já conhecido como Akademia (em referência a Akademo), que Platão instalou sua escola de filosofia, um ponto de encontro no qual, longe do centro urbano, era possível debater filosofia, matemática, dialética e política, surgindo desse fato a identificação da palavra academia com as instituições nas quais são cultivados o ensino, a cultura e a ciência. 

A Academia de Platão, segundo registro históricos, funcionou até 529 depois de Cristo, quando o Imperador Justiniano I, avesso à herança helenística pagã, decretou seu fechamento definitivo. Depois disso, as academias inexistiram na Idade Média, reaparecendo apenas após a revolução promovida pelo Renascimento, quando é registrada a fundação da Academia Platônica de Florença, em 1460, já com características mais próximas das academias que conhecemos hoje, ao incluir entre suas prioridades a literatura e funcionando de modo diferente da formalidade e rigidez das universidades medievais, pois constituíam círculos informais de intelectuais, cientistas, poetas e artistas. É esse modelo que, com as necessárias adaptações, será adotado pela Academia Francesa, fundada em 1635, e por outras instituições que surgiram depois. No Brasil, a Academia Brasílica dos Esquecidos (1724) e a Academia Cearense de Letras (1894), precederam a Academia Brasileira de Letras, fundada em 20 de julho de 1897.

Inspirados nesses exemplos, cada Estado brasileiro fez surgir, quase todas nas primeiras décadas do século XX, suas academias, nascendo a Academia Alagoana de Letras em 1919, e em nossa cidade em 1963. Essas instituições carregadas com todo esse peso histórico e simbólico, no entanto, sobreviveram aos rigores do tempo e chegaram até nossos dias, feito que nos coloca diante de um questionamento: nessa nossa era da rapidez digital, elas ainda são necessárias? A resposta não é simples porque a importância do tipo de batalha que as academias travam não reside em algo objetivo, concreto, quantificável, mensurável ou até mesmo tangível, uma vez que só pode ser medida de um ponto de vista subjetivo, simbólico, metafórico. Assim, a “imortalidade” que as academias enaltecem, não tem a ver com fama, prestígio, status, mas com uma contribuição real dada pelo escritor, pelo artista, para o aprimoramento do mundo através de suas obras, sendo um fato incontestável que apesar dos avanços tecnológicos estonteantes que testemunhamos, esse aprimoramento das mentes e dos espíritos, através do cultivo do belo e do conhecimento, é uma necessidade que acompanhará o ser humano até as estrelas. Se conseguirmos um dia chegar até lá. 

João Pereira Júnior

Presidente

Luciano S. Rocha

1o Vice-presidente

Josué Marques da Silva

2º Vice-Presidente

Claudeonor T. Higino

1º Secretário

Moezio de V. Costa Santos

Tesoureiro Interino

Kleber Messias dos Santos

2º Tesoureiro

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