Toda instituição que nasce para cultivar a cultura precisa, em algum momento de sua trajetória, encontrar um lugar onde possa criar raízes. Para uma Academia de Letras, Artes, Cultura e Ciências, ter uma sede não significa simplesmente possuir um endereço, uma placa na porta ou algumas salas onde se realizam reuniões. Significa dar à instituição um lugar concreto na vida da cidade tangibilizando a instituição para os nossos conterrâneos. É nesse sentido que podemos afirmar que uma sede é a casa da memória, do pensamento, da palavra e da criação.
É bem verdade que nós temos uma sede, contudo já não comporta nossas demandas. É que a Academia Penedense de Letras, Artes, Cultura e Ciências (APLACC) tem crescido e, à medida que cresce, crescem também suas responsabilidades, seus projetos, suas missões e ambições. Aquilo que ontem era suficiente para abrigar uma reunião mensal já não corresponde às necessidades de uma instituição que deseja estar cada vez mais presente na vida cultural de Penedo. Por isso, antes de tudo, registramos nossa sincera gratidão ao prefeito Ronaldo Lopes, pela sensibilidade e pela generosidade de ter permitido que a APLACC continuasse alocada num espaço existente na Casa de Aposentadoria para que pudéssemos, ao menos, nos reunir. Foi ali que a Academia encontrou acolhimento e pôde projetar parte importante de suas atividades. Esse gesto merece ser reconhecido e guardado na história da instituição.
Mas a própria dinâmica da cultura nos ensina que crescer é também assumir novas necessidades. Uma Academia que pretende cumprir plenamente sua missão não pode limitar sua atuação a um encontro por mês. A cultura não acontece apenas em datas marcadas no calendário, pois precisa de continuidade, de convivência, de portas abertas, de encontros espontâneos e de uma programação permanente. Assim é que uma sede própria ou adequadamente destinada às suas finalidades permitiria à APLACC transformar seus espaços em verdadeiros núcleos permanentes de cultura: oficinas literárias, rodas de leitura, palestras, saraus, exposições, lançamentos de livros, encontros com escritores, debates, cursos, workshops, apresentações artísticas, projetos voltados às escolas e atividades destinadas às crianças, aos jovens e à comunidade.
Além do mais, seria possível que a Academia recebesse estudantes durante a semana, promovesse encontros com professores, aproximasse escritores de novos leitores e oferecesse à cidade uma programação cultural contínua. Ou seja, a Academia deixaria de ser apenas um lugar onde se realizam reuniões para tornar-se um lugar onde a cultura acontece.
Todavia, há ainda outro patrimônio que merece especial atenção: a memória. Realmente, uma Academia de Letras não trabalha apenas com o presente. Ela guarda nomes, histórias, livros, documentos, fotografias, manuscritos, discursos, pesquisas e testemunhos de diferentes gerações. Uma biblioteca acadêmica organizada e aberta à visitação poderia tornar-se uma importante fonte de pesquisa para estudantes, professores, pesquisadores, escritores e para todos aqueles interessados na história cultural de Penedo e de sua região. Isso é patrimônio cultural vivo.
Mas, além da memória, uma sede também produz identidade. Uma instituição sem um lugar que a represente corre o risco de permanecer, aos olhos da comunidade, como algo abstrato, distante ou restrito aos seus integrantes. Quando uma Academia possui uma casa reconhecida pela população, ela passa a fazer parte da paisagem cultural da cidade; seu nome ganha endereço e sua história ganha paredes. Sua memória ganha estantes; seus projetos ganham espaço. Inegavelmente, seus acadêmicos ganham um ponto permanente de encontro com a sociedade, de modo que a sede, portanto, não é apenas da Academia… é de Penedo.
Finalizando, ressalto e relembro que, ao assumirmos a Presidência desta Instituição, elegemos como prioridade a conquista desta sede, e não descansaremos enquanto não a alcançarmos.
João Pereira Júnior
Presidente da APLACC